GRUPOS TEMÁTICOS

Grupo Temático 1 : Experiências na educação básica com a escrita do texto literário
Elisa Maria Dalla-Bona (Universidade Federal do Paraná).
Maria Zilda Cunha (Universidade de São Paulo)
Wellington Furtado (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - Corumbá)
Rosa Maria Cuba Riche (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Leonardo Montes Lopes (Universidade de Rio Verde - UniRV)
  O eixo busca ampliar e aprofundar as discussões que envolvem a escrita literária no ambiente escolar e em qualquer dos níveis da educação básica (educação infantil ao ensino médio). Os trabalhos apresentados terão o propósito de expor problemas, perspectivas, propostas, pesquisas e práticas consoantes ao desafio de formar alunos-autores do texto de natureza literária. Os temas pertinentes ao eixo tratarão: a) da interdependência das habilidades de ler e de escrever; b) da viabilidade da formação escolar da criança e do jovem para a escrita literária; c) da formação da atitude de autor; d) do papel do professor; e) da comunidade escolar (professores e alunos) entendida como um público colocado à disposição do aluno-autor para que ele possa testar o efeito produzido por sua escrita; f) das técnicas da escrita literária; g) das estratégias adotadas em situação escolar para ajudar os alunos a superar os desafios que a escrita literária impõe; h) do desenvolvimento no aluno-autor da capacidade de escrever em busca de uma intenção artística e estética próprias do texto literário; i) da reescrita, como parte integrante de um processo de criação e de idas e vindas entre o texto e o aluno-autor para decidir sobre as transformações que deseja realizar em seu texto; j) da avaliação da escrita literária dos alunos.
Grupo Temático 2 : Literatura Infantil para crianças pequenas 
Mônica Correia Baptista (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG)
Renata Nakano (Clube Quindin)
Cyntia Graziella Guizelim Simões Girotto (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Marília)
  Desde que nasce, vamos inscrevendo a criança no universo simbólico. Gestos e balbucios, inicialmente desprovidos de significados, vão, pouco a pouco, se constituindo em atividades simbólicas, a partir das interações que se estabelecem entre bebês e sujeitos mais experientes. As cantigas de ninar, parlendas, jogos de rimas são atividades que promovem construções de sentidos compartilhados. Essa literatura de tradição oral representa uma das primeiras linguagens literárias com a qual as crianças entram em contato. A medida que ampliam suas experiências com a cultura escrita, bebês e demais crianças pequenas vão podendo, cada vez mais, se apropriar da linguagem dos livros e do próprio livro como produto cultural. Considerando os bebês e as demais crianças menores de seis anos de idade, algumas questões, entre outras, poderiam ser suscitadas: Como a literatura oral vem sendo trabalhada nas instituições de educação infantil? Que livros são adequados para crianças que ainda não leem nem escrevem convencionalmente? Que práticas de leitura seriam adequadas a cada uma das faixas etárias que compõem a primeira infância? Como a educação infantil se relaciona com a literatura? Como deveria se relacionar? Como o mercado editorial tem se comportado em relação à produção para essa faixa etária? Como se caracteriza a literatura brasileira para bebês e demais crianças menores de seis anos? Que tendências podemos perceber, no processo de sua constituição? As bibliotecas e outros espaços culturais têm se dedicado aos pequenos leitores? Que projetos ou atividades vêm sendo implantadas políticas públicas que favoreçam o acesso dessas crianças ao universo literário? Como elas se caracterizam? Que ações, projetos ou programas de formação profissional vêm sendo efetivados e como eles se estruturam? Tais questões procuram nortear e sustentar as propostas de comunicação científica de pesquisas que se debruçam sobre a problemática esboçada para, o aqui delineado, eixo ‘Literatura infantil para crianças menores de seis anos’, cujas ações advogam a favor de uma Educação Literária desde a Primeira Infância.
Grupo Temático 3 : Poesia e oralidade
Silvana Ferreira de Souza Balsan (Faculdades de Dracena)
José Hélder Pinheiro Alves (Universidade Federal de Campina Grande)
Eliane Aparecida Galvão (Unesp/Assis)
  A poesia construída a partir da palavra tem a possibilidade de abrir espaços para outros elementos que ajudam a cativar o leitor e estimulá-lo a expandir a leitura e a sensibilidade do seu entorno, especialmente no contexto escolar. Rimas, musicalidade, ilogismo, imagens e enigmas são alguns dos recursos que levam o texto poético a mobilizar a atenção e os sentimentos de quem está lendo ou ouvindo, ainda mais se esse público é criança. No ambiente de escolarização, entretanto, nem sempre a arte poética encontra os espaços necessários para ganhar a atenção que deveria. Assim, o objetivo desse eixo é proporcionar a discussão a respeito da natureza da poesia e das potencialidades de oralização desse texto, a fim de integrar-se as práticas cotidianas de aprendizagem, em ambientes escolarizados ou não, sem perder de vista os possíveis conhecimentos que o gênero pode proporcionar.
Grupo Temático 4 : A literatura juvenil e jovens leitores
Berta Lúcia Tagliari Feba (Faculdade de Presidente Prudente)
Rauer Ribeiro (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
Pedro Afonso Barth (Universidade Estadual de Maringá)

  As pesquisas realizadas nos últimos anos, tomando por objeto a literatura juvenil, atestam sua pertinência no meio acadêmico e educacional. Paralelo ao vasto número de publicações do mercado editorial e aos prêmios concedidos a escritores e ilustradores de destaque, a maturidade como subsistema literário torna-se aspecto inegável de sua circulação. Desse modo, refletir sobre a literatura juvenil é o objetivo deste eixo, que abarca estudos acerca de: sua relevância para o campo de estudos literários no contexto brasileiro contemporâneo; sua presença e suas tendências no sistema literário brasileiro; sua composição estética e sua materialidade; seus diversos suportes e suas inter-relações com o texto literário; e também a escolarização da literatura e a leitura literária no quadro proposto pela BNCC. As propostas de análises críticas sobre os mais diversos textos literários identificados como pertencentes a este corpus também constituem material a ser apresentado e discutido entre os participantes. Finalmente, cabem também estudos comparativos, críticos e históricos, de modo geral, que contribuam para as discussões.

Grupo Temático 5 : Literatura infantil e as relações com a imagem 
Marta Passos Pinheiro (Centro Federal de Educação Tecnológica de Belo Horizonte)
Hércules Tolêdo Corrêa (Universidade Federal de Ouro Preto)
Rogério Barbosa da Silva (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais)
  Desde sua origem, a literatura para crianças é atrelada às imagens. As primeiras narrativas destinadas ao público infantil foram recolhidas da tradição oral, adaptadas para o novo público e ilustradas. Apesar de apresentar uma função decorativa, não sendo fundamental para a compreensão da história, a ilustração era concebida como importante para chamar a atenção dos leitores em formação. Entre essas primeiras histórias, encontram-se, no século XVII, as fábulas de La Fontaine e os contos de Charles Perrault. De lá para cá, a ilustração vem ocupando cada vez mais espaço nas páginas dos livros infantis, sendo influenciada pelas demais artes visuais, como a pintura, a fotografia e o cinema. Como destaca Graça Ramos, em A imagem nos livros infantis: caminhos para ler o texto visual (2013, p. 51), “são muitos os teóricos que, ao analisarem a história dos livros infantis, destacam sua inventividade por tornar tão próxima a relação entre as palavras e as imagens.” Hoje em dia, com os avanços das tecnologias digitais, as obras infantis têm cada vez mais se constituído em objetos multimodais, em que a palavra escrita e a imagem relacionam-se a diversas semioses ou linguagens, como som, fala e imagem em movimento. Este simpósio tem por objetivo discutir a relação entre texto escrito e texto visual na literatura infantil, impressa e/ou digital, considerando suas características multissemióticas. Pretendemos discutir, ainda, a recepção dessas obras pelo público infantil e possibilidades de usos pedagógicos em espaços formais e não formais de educação.
Grupo Temático 6 : Literatura infantil e juvenil e as múltiplas linguagens
Fabiane Verardi Burlamaque (Universidade de Passo Fundo)
Diogenes Buenos Aires de Carvalho (Universidade Estadual do Piauí)
Gislene Aparecida da Silva Barbosa (Instituto Federal de São Paulo, IFSP - Campus Presidente Epitácio)
  Considerando o papel que a literatura teve ao longo dos tempos de representar a experiência humana em sua diversidade, cabe refletir sobre as múltiplas linguagens através das quais a literatura infantil e juvenil contemporânea se apresenta, bem como o papel que os novos suportes e artifícios adquirem na sedução e envolvimento dos leitores. Dessa forma, o presente eixo pretende ser um espaço para o compartilhamento de pesquisas e experiências que enfoquem a escolarização desse acervo bem como a crítica que a ele se volta.
Grupo Temático 7 : Temas polêmicos, interdições e censura na literatura infatil e juvenil
Rosa Maria Hessel (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Sandra Franco (Universidade Estadual de Londrina)
Edgar Roberto Kirchof (Universidade Luterana do Brasil)
  “Temas polêmicos” e “temas tabu” são algumas das formas de nomeação de temas como morte, medo, abandono, separação dos pais, deficiência, doença, drogadição, sexualidade, racismo, preconceito, guerras, quando presentes em livros literários direcionados à infância e adolescência. Ao lado de tais temas, tradicionalmente vistos como ‘difíceis’, a abordagem de outras questões, como as atinentes a gênero ou mesmo à presença de seres fantásticos de diferentes mitologias, tem sido alvo de recentes manifestações de censura e interdições no panorama brasileiro, conforme notícias recorrentes na mídia. Neste sentido, dimensões como o didatismo (intenção de ‘ensinar’ sobre determinados assuntos) ou a censura (para ‘preservar’ as crianças de ‘influências ideológicas/religiosas nocivas’) têm permeado simultaneamente o panorama da literatura infantojuvenil e integrado a vigilância em relação às obras infantojuvenis, desconsiderando-se a dimensão estética e literária de tal produção. O simpósio temático se abre a tais discussões, abrigando tanto ensaios de cunho teórico sobre a articulação entre qualquer desses temas e a literatura infantojuvenil, quanto análises de obras específicas (contemporâneas ou de outros momentos históricos) que os explorem, e, ainda, trabalhos que discutam interdições e censuras recentes relativas a obras a crianças e/ou adolescentes.
Grupo Temático 8 : Literatura infantil e ensino
Daniela Segabinazi (Universidade Federal da Paraíba)
Rosana Rodrigues da Silva (Universidade do Estado do Mato Grosso)
Elizabeth da Penha Cardoso (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
  Tendo seu surgimento condicionado às transformações sócio históricas que deram origem à concepção de infância, a literatura infantil se desenvolveu e se consolidou como arte comprometida aos interesses da família e da escola. Desse modo, atende às exigências do contexto em que está inserida, o que fica claro no projeto de nacionalização que marca a literatura infantil na virada do século XIX. Os caminhos que essa literatura percorre que vão do idealismo exaltado e didatismo ao lúdico e à interação com o leitor, desaguam na contemporaneidade em espaço multicultural e transdisciplinar em que a voz de narradores e personagens discutem diferentes conflitos identitários da criança. A literatura infantil contemporânea se reconfigura no diálogo com a tradição oral e popular, com as vanguardas artísticas, os posicionamentos políticos, as tecnologias e abre novas possibilidades de leitura e interação com o leitor e o mediador da leitura no livro pensando como objeto artístico e no espaço da web. Atendendo à formação do leitor, nesse novo contexto, as propostas ou estratégias no ensino da leitura literária visam o envolvimento da criança no processo de construção de sentidos. Nesse percurso, os gêneros que compõem a literatura infantil são considerados em suas especificidades e diferentes formas de adaptação e no diálogo com a tradição. Os contos de fadas, as narrativas dramatizadas, os poemas que convidam ao lúdico, são algumas das formas apresentadas que, nutridas do imaginário infantil, convidam o leitor à participação de um novo mundo que se apresenta, que nasce no processo da leitura. Para este simpósio, serão aceitos trabalhos que abarquem História, Crítica e Interpretação da produção literária infantil nacional e internacional. Tradução, adaptação, mídias digitais, e-books e apps e processos artísticos. Estudos de obras da literatura infantil e relatos de práticas de trabalhos que vão desde a leitura interpretativa da ilustração, às propostas com diferentes gêneros (poesia, teatro, conto e romance, HQs, literatura em quadrinhos, mitos e lendas, etc.).
Grupo Temático 9 : Os espaços de leitura literária
Alcione Santos (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
Rovilson José da Silva (Universidade Estadual de Londrina)
Antônio Cézar Nascimento de Brito (Faculdade Projeção)
  Este simpósio caracteriza-se por refletir sobre os mecanismos e as práticas que se realizam, em espaços formais ou não formais, de modo a oportunizar aos leitores, especialmente aqueles que se encontram no início de sua formação literária, o acesso à literatura infantojuvenil, entendida como um bem cultural que deve ser apropriado pelas pessoas durante sua formação escolar ou social. Vincula-se a investigações acerca do espaço pedagógico que a literatura tem, em especial, nas práticas cotidianas escolares de incentivo à formação de leitores, bem como às atividades e ou estratégias que são utilizadas com esse objetivo, tais como: a contação de histórias; a disseminação da literatura em sala de aula; o uso da biblioteca; a literatura infantojuvenil e suas manifestações ao longo dos tempos; as relações entre literatura e o suporte digital, entre outros aspectos. Com isso, evidencia-se o fazer pedagógico, de modo que se discutam as relações e os saberes em prol da formação de leitores de literatura.
Grupo Temático 10 : Educação literária, Letramento literário, formação e mediação de leitores literários: entrecaminhos do saber/aprender
Eliane Santana Dias Debus (Universidade Federal de Santa Catarina)
Silvana Augusta Barbosa Carrijo (Universidade Federal de Goiás)
Adriana Lins Precioso (Universidade do Estado de Mato Grosso)
Mariana Cortêz (Universidade Federal da Integração Latino-Americana)

  O Simpósio congrega pesquisas, trabalhos de extensão e ensino que focalizam aspectos teóricos/metodológicos relacionados a práticas pedagógicas e ao ensino de literaturas em Língua Portuguesa (LsELP), à mediação de leitura e  à formação de leitores em um contexto que contemple a  leitura como ato formativo para o leitor em formação. Entendemos, como premissa para os estudos do Simpósio, a leitura literária como de fundamental importância na formação do leitor em diferentes espaços formativos. Pensamos, ainda, nos trabalhos do Simpósio incluir reflexões sobre a formação do docente de Letras, Pedagogia e áreas afins como provocação a uma formação continuada ligada  à leitura literária em um sentido amplo que congrega, portanto, a diversidade de enfoques da leitura não só do texto como do mundo. A proposta tem como principal foco, por meio dos diferentes trabalhos apresentados no Simpósio, refletir sobre as práticas pedagógicas e a  situação do ensino de literaturas em Língua Portuguesa na Educação Básica e até mesmo na Educação Superior e, na medida do possível, traçar um perfil do professor de literatura em âmbito da formação acadêmica e políticas públicas ligadas ao ensino e difusão da leitura literária que pensem a formação de leitores e a mediação de leitura em um sentido amplo, no qual residem as concepções de letramento literário e educação literária.

Grupo Temático 11 : Literatura e estratégias de leitura
Sílvia de Fátima Pilegi Rodrigues (Universidade Federal de Mato Grosso)
Joice Ribeiro Machado da Silva (Escola de Educação Básica - Universidade Federal de Uberlândia)
Adair de Aguiar Neitzel (Universidade do Vale do Itajaí)
  O principal foco desse eixo é o de pensar práticas possíveis para a formação do leitor literário que partem do entrelaçamento da literatura com as estratégias de leitura. Nesse vasto campo de estudos, consideramos importante o papel da literatura na formação do leitor e sendo esse um dos objetivos da escola é preciso buscar formas para que isso aconteça. As estratégias de leitura possibilitam a compreensão do texto literário e como fio condutor dos debates podemos refletir: Como desenvolver as estratégias de leitura via literatura no ambiente escolar? Como promover a mediação do texto sem negar espaço à subjetividade dos leitores nem negar a importância da ocupação, pelo professor, de um lugar de leitor especializado? Como tornar a leitura do texto literário uma experiência estética, que dê conta da especificidade artística da literatura? Esperamos que diversas pesquisas possam contribuir para o debate, visto que a formação do leitor literário é um processo cujo espaço privilegiado para acontecer é a escola.
Grupo Temático 12 : Literatura infantil e juvenil e outras áreas do conhecimento
Maria Helena Hessel (Universidade Federal do Ceará)
José Carlos Debus (Unidade de Ensino de Santa Catarina)
Márcia Tavares (Universidade Federal de Campina Grande)
  Temas do mundo científico, como a Geografia, a História e, mais recente, a Astronomia (Sol, Lua, estrelas...), a Climatologia (nuvens, chuva, ventos...), a Geologia (pedras, fósseis...), a Biologia (animais, evolução, ciclo de vida...) e a Ecologia (águas, mar, florestas...) são cada vez mais frequentes nas obras de literatura infantil e juvenil disponíveis no mercado brasileiro. Sem se constituírem em cartilhas ou livros de atividades, paradidáticos ou enciclopédicos, estas obras trazem, com frequência, narrativas literárias com personagens ou temas de fundo nos quais estas questões são enfocadas. Assim, é fecunda a discussão sobre como estes temas são abordados em histórias publicadas para crianças, adolescentes e jovens, quer em livros ilustrados, quer em livros apenas de imagens, sem cair no didatismo ou incorporar informações cientificamente equivocadas. Nesse sentido, este eixo focaliza as discussões dessa interrelação, aceitando tanto ensaios teóricos sobre a articulação entre qualquer um desses temas e a literatura infantojuvenil, como análises de obras específicas que os abordem (como, por exemplo, a evolução de um tema em livros de diferentes anos de publicação, a fidedignidade do conteúdo, a forma de apresentação de determinado tema, a comparação entre obras de autores estrangeiros traduzidas e as de autores nacionais, o cotejo entre obras sobre um mesmo tema, etc.) e também trabalhos que explorem a leitura de uma ou mais obras sobre tais temáticas, por escolares, crianças ou adolescentes.
Grupo Temático 13 : Contação de histórias, teatro e dramaturgia: A leitura literária em outros contextos
Fabiano Tadeu Grazioli (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões)
Ilsa do Carmo Vieira Goulart (Universidade Federal de Lavras)
Rosemary Lapa de Oliveira (Universidade Estadual da Bahia)
  Narrar histórias configura-se como uma arte milenar, que alcança potencialidades afetivas, cognitivas e estéticas pela narrativa. O teatro realizado para crianças e jovens toma de assalto as emoções e coloca em evidência a capacidade de decodificar as diferentes linguagens que as compõem. A dramaturgia escrita para as crianças e jovens coloca em funcionamento o “palco imaginário” de maneira potencializada na infância e na juventude, pois os leitores, nesses casos, aderem naturalmente aos mecanismos que os dramaturgos utilizam para compor textos do gênero em questão. A contação de histórias, o teatro e a dramaturgia tornam-se,aqui, espaço-tempo de (re)invenção textual e de (re)encontros, seja entre o narrador e a narrativa, seja entre narradores, seja entre o narrador e os leitores-ouvintes, seja entre atores e demais realizadores cênicos e a plateia, seja entre o dramaturgo e o leitor. Tais encontros mostram-se vinculados indissoluvelmente ao processo de interação entre produtores das linguagens acima citadas. É essa interação a base do processo de produção dos discursos e, o que é mais importante, da própria linguagem, na perspectiva bakthiniana, segundo a qual o locutor e o interlocutor compartilham igualmente da enunciação que, por si mesma, é sempre uma resposta a enunciações passadas ou futuras, sem deixar de ser simultaneamente outra pergunta, o que rompe com qualquer possibilidade de pensar a literatura de forma ingênua ou passiva. O presente simpósio temático pretende receber trabalhos que reflitam sobre as modalidades de manifestações artísticas embasadas na literatura apresentada anteriormente, como um espaço de debates, reflexões, troca de saberes e experiências entre pesquisadores e pesquisadores-artistas interessados nas configurações que a literatura para a infância e a juventude ganha quando sai do papel em direção à gestualidade, à voz, à corporeidade, à soma com os demais elementos da linguagem teatral e à elaboração e leitura do texto dramatúrgico.
Grupo Temático 14 : Contos de fadas, recontos e o insólito da narrativa ficcional
Andréia de Oliveira Alencar Iguma (Centro Universitário da Grande Dourados)
Marisa Martins Gama-Khalil (Universidade Federal de Uberlândia)
Regina Michelli (Universidade Estadual do Rio de Janeiro)
  Os contos de fadas fazem parte da literatura do maravilhoso e seu universo de mirabilia é regido por leis insólitas, leis essas que são incognoscíveis em nosso cotidiano prosaico; entretanto, em sua recepção, os leitores acatam sem estranheza os elementos e acontecimentos insólitos que ali se planteiam. Ressaltamos a relação dessa literatura com o cotidiano estético contemporâneo, porque os enredos dos contos de fadas ainda se mantêm em circulação no século XXI em função da potencialidade de sentidos que eles deflagram. Assim, novos contos são escritos e outros são reescritos e ressignificados diante das condições culturais que hoje se apresentam. Tzvetan Todorov, em Introdução à literatura fantástica, caracterizou os contos de fadas e o maravilhoso como aquela literatura que implica, durante a leitura da obra, a admissão de “novas leis da natureza, pelas quais o fenômeno pode ser explicado”, fenômeno este, sobrenatural, que emerge na/da narrativa, mas que é recebido com naturalidade pelo leitor. Os contos de fadas, muito mais do que narrativas que apenas figurativizamespacialidades e temporalidades mágicas, projetam polissemicamente sentidos que se referem à cultura a que se vincula, mostrando ao seu leitor, de modo metafórico, normatizações e regimes de conduta sociais, históricos e estéticos. Marina Warner, em Da fera à loira, indica-nosduas características do conto de fadas: “sentir prazer no fantástico e curiosidade pelo real”, na medida em que conseguimos deslocarmo-nos do real por meio do insólito e do mágico apresentado, mas não abandonamos o real, uma vez que esse contato com o insólito pode propiciar-nos uma nova visada crítica sobre nosso cotidiano prosaico. Objetivamos com este simpósio promover discussões e análises sobre obras teóricas e ficcionais que têm o conto de fadas - antigos ou contemporâneos - como foco de reflexão.
Grupo Temático 15 : O legado de Monteiro Lobato para a cultura brasileira
Fernando Teixeira Luiz (Universidade do Oeste Paulista)
Ana Cláudia Fidelis (Pontifícia Universidade Católica de Campinas)
Patricia Beraldo Romano (Universidade do Sul e Sudeste do Pará)
Maria Laura Pozzobon Spengler (Instituto Federal Catarinense)
  Destacam-se, recentemente, inúmeros eventos em universidades, bibliotecas e escolas estaduais, municipais e privadas em torno dos setenta anos de ausência de José Bento Monteiro Lobato (1882 – 1948). O autor, falecido na década de 1940, deixou uma vasta obra que se estende da ficção infantojuvenil aos ensaios críticos. Nesse sentido, são constantes as referências ao criador de Jeca Tatu não apenas como escritor renomado, mas também como editor, articulista, fazendeiro, polemista, diplomata, advogado, militante, tradutor, pintor, visionário, sonhador, crítico de arte, pré-modernista, modernista (pós-modernista), leitor incansável e semeador de horizontes. Agrega-se aos citados dados uma extensa fortuna crítica, exaltando suas contribuições para o cenário literário brasileiro, como também para uma geração de autores contemporâneos que, igualmente, edificou uma obra, marcada por intertextualidade e metalinguagem, e que, até antão, carrega como principal traço o fato de ter ainda muito o que dizer a leitores de diversas faixas etárias. No espaço acadêmico, inclusive, o universo lobatiano torna-se objeto de discussão de leitores oriundos de uma pluralidade de territórios, como Letras, Educação, História, Geografia, Artes, Comunicação Social, Ciências Sociais, Ciências Exatas e outras. Considerando esse quadro, o presente simpósio dedica-se ao estudo de Monteiro Lobato como polígrafo, autor de textos que abordam diferentes temáticas direcionadas à cultura brasileira – literatura, cinema, quadrinhos e pintura, entre outras – como também sua contribuição no processo de projeção do movimento editorial nacional e as recentes práticas e experiências com a leitura de sua produção em sala de aula (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio) e ambientes não escolares. Preza também pelo diálogo que se estabelece entre o criador de Emília e a prosa contemporânea local, rubricada por diversos autores de ampla repercussão no mercado editorial e que reserva à criança um local de destaque. Enfatiza também os textos que contribuíram para a formação de Lobato como artífice da palavra e militante em determinadas causas políticas. Em linhas gerais, o simpósio empenha-se em sublinhar a atualidade de Monteiro Lobato, entendendo como sua vasta obra (literatura, cartas e textos jornalísticos) abarca questões polêmicas, intrigantes, gera interpretações variadas e ainda tem ampliado os horizontes culturais de leitores ao longo de diferentes gerações.